Complexos Estomáticos e Diagnóstico Farmacopeico: Anomocítico, Diacítico, Paracítico e Anisocítico (Tratado de Farmacobotânica 2009)
A disposição geométrica e a ontogenia das células anexas ao redor das células-guarda dos estômatos constituem um dos marcadores anatômicos mais confiáveis para a autenticação farmacopeica de drogas vegetais.
Morfologia Diagnóstica & Esquema Anatômico
Classificação Ontogenética e Morfológica dos Estômatos
Estômatos anomocíticos (tipo Ranunculaceae) são delimitados por células indistinguíveis das demais células epidérmicas comuns (ex: *Digitalis purpurea*); estômatos diacíticos (tipo Caryophyllaceae) apresentam duas células anexas dispostas em ângulo reto perpendicular em relação ao ostíolo (ex: *Mentha piperita*); estômatos paracíticos (tipo Rubiaceae) possuem células anexas paralelas ao eixo longitudinal das células-guarda (ex: *Senna alexandrina*); e estômatos anisocíticos (tipo Cruciferae/Solanaceae) são envolvidos por três células anexas, sendo uma nitidamente menor que as demais (ex: *Atropa belladonna*).
Índice Estomático (IE) como Parâmetro Farmacopeico Absoluto
Diferente da densidade estomática pura, que varia amplamente com a insolação e disponibilidade hídrica, o Índice Estomático representa a razão percentual entre estômatos e o total de células epidérmicas: IE = [E / (E + C)] × 100. Como permanece constante para uma mesma espécie vegetal em folhas maduras, o IE diferencia espécies morfologicamente idênticas, como folhas genuínas de sene de adulterantes silvestres.
Importância na Autenticidade de Pós de Folhas Medicinais
Em pós triturados onde a morfologia foliar macroscópica foi destruída, fragmentos microscópicos de epiderme preservando o complexo estomático permitem atestar se o material atende às especificações da Farmacopeia Brasileira e Farmacopeia Europeia.
Farmacêutico-Bioquímico · Especialista em Farmacobotânica, Farmacognosia & Fitoquímica Estrutural · Publicação de 26/06/2009 às 02:10







