Síndrome da Infusão do Propofol (PRIS) em Terapia Intensiva — Seguimento Farmacoterapêutico Ambulatorial e Adesão (Dia 0054)
A presente lição clínica integra o programa diário de capacitação e prática farmacêutica avançada do Dr. Cristiano Ricardo. Sob o tema Síndrome da Infusão do Propofol (PRIS) em Terapia Intensiva, abordamos a tomada de decisão clínica à beira do leito hospitalar e no consultório, unindo o raciocínio fisiopatológico às evidências farmacológicas modernas e à legislação profissional vigente.
- Compreensão aprofundada dos mecanismos biológicos e parâmetros farmacocinéticos envolvidos;
- Identificação precoce de potenciais interações e redução de riscos assistenciais;
- Critérios práticos para tomada de decisão fundamentada em evidências científicas.
1. Apresentação do Caso Clínico & Anamnese Farmacêutica
Perfil do Paciente e Admissão: Jovem de 26 anos com Traumatismo Cranioencefálico (TCE) grave em uso de Propofol a 5,5 mg/kg/h há 72 horas para controle rigoroso de hipertensão intracraniana.
Prescrição Médica Auditada: Propofol 1% 40 mL/h contínuo; Nutrição Enteral hiperlipídica concomitante.
2. Interpretação Farmacêutica de Resultados Clínicos e Laboratoriais
O farmacêutico deve correlacionar imediatamente a farmacocinética dos medicamentos prescritos aos parâmetros bioquímicos e hematológicos do paciente:
- Achados Laboratoriais Críticos: Gasometria arterial com acidose metabólica com anion gap elevado inexplicada (pH 7,22, Lactato 6,1 mmol/L); Triglicerídeos séricos: 680 mg/dL; CPK sérica: 4.800 U/L; ECG: elevação do segmento ST tipo Brugada e arritmias.
- Risco Terapêutico Detectado na Prescrição: Quadro clássico e iminente de PRIS (Síndrome da Infusão do Propofol) caracterizada por acidose metabólica refratária, rabdomiólise, hipertrigliceridemia, colapso cardiovascular e disfunção hepática por inibição do transporte de ácidos graxos mitocondriais.
- Substâncias e Alvos Envolvidos: Propofol em Altas Doses e Longa Duração
3. Avaliação Crítica da Prescrição & Racional Fisiopatológico
O propofol nunca deve ser infundido em doses superiores a 4-5 mg/kg/h por períodos maiores que 48 horas sem monitoramento diário e estrito de triglicerídeos, CPK, lactato e eletrólitos. O farmacêutico clínico em UTI atua como sentinela na detecção precoce da toxicidade mitocondrial do propofol.
4. Intervenção Farmacêutica Estruturada & Plano de Cuidado
Conduta Farmacêutica Adotada (Método SOAP / Dáder / PCNE):
Alerta imediato do farmacêutico clínico à equipe médica: descontinuação imediata do Propofol; substituição por Midazolam associado a Ketamina para neuroproteção e controle de sedação; suporte hemodinâmico e hidratação vigorosa para rabdomiólise; desconto calórico lipídico na dieta.
5. Perólas Clínicas e Recomendações para a Prática Diária
- Documentação em Prontuário: Registre formalmente toda intervenção farmacêutica utilizando a metodologia SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano), resguardando a equipe e conferindo rastreabilidade sanitária.
- Comunicação Interprofissional Efetiva: Ao sugerir ajustes posológicos ao médico assistente, apresente o racional fisiopatológico, o risco toxicodinâmico documentado e a proposta alternativa concreta pronta para validação.
- Engajamento do Paciente (Teach-Back): Em ambiente ambulatorial, certifique-se de que o paciente ou cuidador compreendeu os horários, interações com alimentos e sinais precoces de alarme que exigem pronto-socorro.
Farmacêutico Clínico e Hospitalar · Especialista em Farmacoterapia & Cuidado Farmacêutico
💡 Perguntas Frequentes & Esclarecimentos do Especialista
A recomendação primordial é suspender a administração concomitante, avaliar as curvas de biodisponibilidade e consultar o farmacêutico clínico ou a Farmacopeia para determinar o intervalo de tempo adequado entre as doses.
Consulte sempre os formulários terapêuticos oficiais da Anvisa, monografias da Farmacopeia Brasileira e bases indexadas de Farmácia Baseada em Evidências (como PubMed e Cochrane).
As informações veiculadas possuem caráter puramente científico e educacional, servindo para subsidiar o raciocínio clínico de estudantes e profissionais, nunca substituindo o julgamento clínico individual.
O conteúdo deste artigo possui caráter exclusivamente informativo, educativo e de divulgação científica, baseado em literatura farmacêutica revisada por pares e diretrizes de Farmácia Baseada em Evidências. As informações não constituem recomendação terapêutica, diagnóstico clínico ou prescrição farmacêutica individualizada. Não substitui a consulta com um médico ou farmacêutico habilitado. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar, alterar ou descontinuar qualquer tratamento.
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